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Embargo ambiental

Justiça cancela embargo ambiental de 14 anos sem risco atual

O embargo durava 14 anos e nenhum fiscal voltou à área. O TJMT cancelou o termo de embargo ambiental por falta de risco ambiental atual.

14 anos de área embargada e nenhum fiscal voltou para vistoriar nada. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso cancelou o termo de embargo ambiental nessa situação, porque medida de urgência que não aponta risco atual perde a razão de existir.

Embargo ambiental é a ordem do órgão que proíbe usar a área, e ela nasceu para impedir que o estrago continue. Quando ninguém mais demonstra que existe algo a conter, a proibição para de proteger a natureza e passa a travar a produção de quem vive da terra.

Índice

O embargo ambiental é remédio de urgência

Termo de embargo e multa ambiental chegam juntos na mesma fiscalização, mas não são a mesma coisa. A multa ambiental pune o que já aconteceu. O embargo ambiental é medida cautelar administrativa, feita para impedir que o dano aumente enquanto o caso está sendo apurado.

Essa diferença tem efeito prático e o acórdão foi explícito nela. A nulidade do processo administrativo não apaga o termo de embargo de forma automática, porque a medida tem base própria no artigo 101 do Decreto 6.514/08 e segue de pé por conta dela.

Só que a mesma natureza que dá autonomia ao embargo ambiental é o que o derruba com o passar do tempo. Cautelar sem risco atual perde a finalidade. Se não existe mais nada a prevenir, sobra uma restrição sobre o patrimônio e nenhum ganho ambiental do outro lado.

14 anos sem vistoria nova esvaziam a medida

No caso julgado, o termo de embargo já tinha mais de 14 anos quando o tribunal olhou para ele. Em todo esse período o órgão não trouxe laudo novo, vistoria recente ou qualquer documento técnico dizendo que o problema continuava na área naquela data.

O tribunal cobrou contemporaneidade, palavra que significa uma coisa simples: o risco ambiental atual precisa existir hoje, não em 2011. Relatório antigo descreve o passado, e passado não sustenta uma proibição que segue produzindo efeito todo dia dentro da fazenda.

Quantos anos tem o seu embargo? Área travada há mais de uma década, com vegetação que voltou sozinha e sem nenhum fiscal no meio do caminho, é exatamente o cenário que o acórdão considerou incompatível com a manutenção da ordem.

Anulou o auto e o embargo continuou na lista

Esta é a parte que mais surpreende quem já venceu a discussão. O acórdão da apelação reconheceu a nulidade da notificação por edital e a prescrição intercorrente, anulou o processo administrativo inteiro, e não disse uma palavra sobre o termo de embargo.

Deu nisso: processo anulado, autuação sem efeito, e a área ainda constando como embargada no sistema do órgão. O produtor ganhou no papel e continuou sem poder trabalhar, porque ninguém determinou expressamente que aquele registro fosse apagado.

A saída veio pelos embargos de declaração, o recurso que serve para o tribunal completar o que ficou faltando no julgamento. A omissão foi reconhecida e o acórdão determinou o cancelamento do termo de embargo, fechando a porta que havia sobrado aberta.

Guarde isso para qualquer defesa, administrativa ou judicial. Pedir a anulação do auto de infração ambiental, que é a multa aplicada pelo órgão, não resolve sozinho. O pedido precisa dizer com todas as letras que o termo de embargo também deve ser cancelado.

Edital publicado sem procurar o produtor

Antes de chegar ao embargo, o processo administrativo acumulou dois defeitos graves. A carta de notificação não encontrou o autuado, e o órgão partiu direto para a publicação em edital, sem esgotar os meios comuns de localizar a pessoa.

Notificação por edital é saída excepcional, não atalho de rotina. O tribunal considerou a publicação inválida e, com ela, caiu o alicerce de um procedimento que correu anos como se o produtor tivesse escolhido ficar calado diante da autuação.

Em seguida entrou a prescrição intercorrente, que é quando o processo administrativo fica parado tempo demais e a cobrança perde a validade. O TJMT aplicou ali a tese que ele próprio firmou em julgamento de casos repetitivos sobre prazo em processo ambiental.

A dupla aparece com frequência nas fazendas de Mato Grosso. Já comentamos aqui um julgado em que o edital nulo levou à prescrição do auto de infração ambiental, com o mesmo tipo de falha na forma de avisar o autuado.

O que juntar para pedir o cancelamento

Quem quer cancelar embargo ambiental antigo começa pedindo a cópia integral do processo administrativo. Ali aparecem a data do termo, a motivação que o fiscal escreveu, as tentativas de notificação e a última vez que alguém mexeu naquele procedimento.

Depois vem a prova de como a área está hoje. Série histórica de imagem de satélite, laudo de engenheiro agrônomo ou florestal e fotografia datada mostram se a vegetação voltou e se existe algum dano ainda em andamento no local.

Vale juntar também o que o órgão deixou de fazer. Nenhuma vistoria nova, nenhum laudo recente e anos sem movimentação são o coração do pedido, porque demonstrar risco atual é dever da administração, nunca tarefa do produtor rural.

Uma advogada especializada em direito ambiental lê esse conjunto antes de escolher entre pedido administrativo de desembargo, mandado de segurança e ação anulatória, que é o processo na Justiça para derrubar a autuação. Cada caminho tem prazo e exigência própria.

Ser autuado não é ser condenado, e cada caso depende dos próprios documentos. Para conhecer os pedidos mais usados por quem está com a área travada, a página de embargo ambiental reúne o que a advocacia ambiental para produtor rural costuma protocolar.

De onde saiu esta decisão

O julgado é uma decisão em embargos de declaração em apelação cível, do TJMT, no processo 1000650-51.2022.8.11.0107, publicada em 31 de março de 2026. Os embargos foram acolhidos para completar o acórdão anterior da apelação.

Com isso o tribunal determinou o cancelamento do termo de embargo, mantidas a nulidade da notificação por edital e a prescrição intercorrente já reconhecidas, e redistribuiu os ônus do processo. Os nomes das partes foram omitidos nesta publicação.

A base legal citada envolve o artigo 5º, inciso LIV, da Constituição, o artigo 1.022 do Código de Processo Civil, o artigo 72, parágrafo 3º, da Lei 9.605/98 e o artigo 101 do Decreto 6.514/08.

Se a sua área está embargada há anos sem nenhuma notícia do órgão, uma advogada ambiental em Mato Grosso consegue dizer, lendo o processo administrativo, se o pedido de cancelamento já tem apoio ou se ainda falta prova a providenciar.

Decisões relacionadas

Dados da decisão

Publicação
Autoria
Tribunal / órgão
TJMT
Data da decisão
Processo
1000650-51.2022.8.11.0107
Estado
MT

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Dra. Elisiane Bottega, advogada de Direito Ambiental e do Agronegócio
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